terça-feira, 6 de março de 2012

Bebendo demais

“Cada qual tem o seu álcool. Tenho álcool bastante em existir. Bêbado de me sentir, vagueio e ando certo. Se são horas, recolho-me ao escritório como qualquer outro. Se não são horas, vou até o rio fitar o rio, como qualquer outro. Sou igual. E por detrás de isso, céu meu, conste-lo as escondidas e tenho o meu infinito…” *

Cansei do invólucro. E ando bebendo demais. Mudei o foco. Saio à cata de outros lugares que acrescentem de verdade. E sempre acho que falta algo que nunca sei o que é. Sinto-me sujo de coisas que não fiz, mas que acho que deveria fazer. Ando bebendo demais. Vivo num constante e inútil processo de catarse. O tempo passa e eu ainda por aqui. O tempo passou e talvez eu nunca estive aqui. Estar no lugar errado na hora errada. Chega. É necessária a mudança de recipiente.

“Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa — não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio.” *

*trechos do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa.

2 comentários:

  1. A mudança é sempre necessária, quando o que acontece na nossa vida não está valendo a pena. Mas nunca o que vivemos ou pra quê vivemos, será inútil. Sempre haverá um porquê pras nossas perguntas... a gente só precisa saber mudar o rumo das nossas dúvidas. =)
    E como eu aprendi com você, mudar o foco talvez seja a melhor saída!

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  2. parece que são tempos de mudança. Muitos estão 'tipo assim'... espero que, no final, tudo seja melhor.

    bjos

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