Desconfortável. Claustrofóbico. E o mais engraçado é que eu escolhi estar aqui. Na verdade, PRECISO estar aqui. Mas não sou o único. Dezenas, talvez centenas (quem sabe até milhares). E o que me fascina é a quantidade de histórias escondidas atrás de cada expressão, algumas sisudas, outras até simpáticas, mas todas cansadas. Cada rosto, um parágrafo. É quase impossível não me empolgar na possibilidade de descobrir esses “infindáveis pequenos mundos particulares”, uns tão parecidos comigo, outros nem tanto. O fato é que esse estreito corredor é como se fosse um laboratório, de qualquer coisa, experimentos que ninguém escolheu participar, situações sem explicação plausível. É de uma grande pretensão autoproclamar-se, sem prévia consulta dos demais, porta-voz do (in) consciente coletivo. Não é tão simples. Cada vírgula é característica, cada entonação de frase, única. Nessas horas gostaria muito de ter nascido Talese, Capote, ou apenas com mais capacidade criativa e de observação. Tanto para contar, e tão pouco tempo. Sem mais delongas. Chega de devaneios. Com licença, desço no próximo.