terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sem graça

Uma piada. E, nos últimos tempos, isso já basta pra ser o combustível de brigas judiciais, processos e exibições (na mídia, vida real e onde quer que seja) de hipocrisia concentrada aditivada.
Vendo tudo isso, dá uma imensa saudade de quando uma piada era somente uma piada. Era entender, rir – ou não – e ponto. Nada de contratos, patrocinadores, gente endinheirada. Sem bullying (e que moda insuportável essa, só não mais insuportável que a das calças coloridas, mas isso é assunto pra outra hora). Politicamente correto, auto-sustentável, isso nem era lembrado na época em que uma piada era somente uma piada.
O grande barato era a diversão. Sem muitas preocupações, sem muito “rabo preso”. Pouco importava quem ou o quê era o motivo da anedota. Era falar e rir. Sim, às vezes podia ser de mau gosto, mas lembro- me perfeitamente que as “vítimas” de tais atrocidades (dramático? Sim, atualmente está muito dramático) sobreviviam à  esses ataques cômico-terroristas sem terapia, intervenções judiciárias ou trabalho de pai-de-santo (PS: nada contra qualquer religião, ok?). Não era necessária a divisão de castas para saber qual tema poderia ser abordado. Falava-se de (quase) tudo, sem maiores problemas, sem riscos de guerra civil, ou guerra de Ibope.
A burocratização da diversão (nem venha me falar que não existe, pois existe sim) está limando a criatividade. Isso pode, aquilo não pode, meu Deus, deixem-me rir do que eu quiser! Sem polêmicas, só diversão, pura e simples. Não me importa a opinião daquela revista cult, ou portal de imprensa, ou guru espiritual. A questão é que a piada está perdendo a graça. E não é culpa dela.