domingo, 26 de junho de 2011

Meu pequeno conto sobre uma janela

Passo mais tempo nessa mesa do que em qualquer outro lugar. E o que me resta, é olhar pela janela. Céu azul, dia nublado, chuva, sol, vento, sonhos e esquecimento. Contemplo tudo, com vontade passar por dentro dela, que está escancarada. Não posso. Torno a me virar e continuo numa frenética busca pelo êxito. Da vida, de qualquer coisa, contudo, um êxito. Mas a janela teima em chamar a minha atenção. Quase posso ouvi-la dizendo “Ei, perca seu tempo com outra coisa, perca seu tempo se perdendo, ou se encontrando”. Não posso. Estou preso a uma mesa e cadeira, quase como um deficiente, não físico, mas da alma. E ela percebe isso. E me presenteia com o mesmo belo pôr-do-sol, indiferente a qualquer estação do ano. E nas chuvas, deixa escorrer as gotas, talvez como lágrimas, indecifráveis, assim como todo e qualquer sentimento. Não me prende, tampouco me liberta. Apenas está ali, emoldurando tudo o que posso e tudo o que devo. Há uma observação mútua. Uma tênue linha da realidade e utopia. Doses cavalares de um devaneio qualquer. Vão dizer que é coisa de coração partido. No momento, prefiro as cicatrizes neste velho peito, a ver minha janela partida. Que continua ali, onde sempre vai estar. Aonde sempre vamos nos encontrar.

Inspirado livremente numa história qualquer, de um lugar qualquer…

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sem danças, por favor

Eu nunca gostei desse negócio de dançar conforme a música. Dá uma impressão de preguiça, sabe? E não ser adepto dessa conivência musical é como um estilo de vida.
Já me basta ser um honrado e subserviente cidadão, que paga todos os seus impostos – sem retorno algum, obviamente. Deseja apenas seguir com o que escolhi para mim, sem me importar com status, grana, ou qualquer outro adjetivo que possa melhorar essa decisão, ou torná-la mais bonita e aceitável.
Sinceramente, não estou disposto a viver um sonho corporativo, em troca de algumas centenas (ou quem sabe, com muita sorte, mesmo, alguns poucos milhares) de reais. Pouco me importa o quanto falta pra juntar o meu primeiro milhão, troco tudo pelo que me faz sentir vivo de verdade… É, eu não danço qualquer música…

sábado, 4 de junho de 2011

Um texto da madrugada

Madrugada. Para mim, a melhor hora de parar, refletir e escrever. Sobre qualquer coisa, tema, pessoa(s) e momentos. Não que eu não consiga escrever durante o dia – ás vezes, não escrevo por causa de outros motivos, como cumprir minhas obrigações em coisas que detesto fazer – mas escrever na madrugada é bem melhor.
E não tem nada disso, pelo menos pra este velho boêmio (ah, que pretensão), de lua inspiradora, “issos” e “aquilos”. É só um momento de expor o que se passa na mente. No coração. Na alma. É colocar tudo isso num ritmo só.
Não que em outros momentos do dia eu não queira escrever, mas é que a noite e a madrugada são únicas, especiais. Elas me deixam a sensação de poder, de ser eu mesmo, numa totalidade que não consigo sequer chegar perto no decorrer do dia. Não tem ninguém para “doutrinar” o que quero fazer, só tenho que por em prática a arte de escrever (não sou um adepto dessa arte, como podem ler). E ter liberdade assim me faz completo. Mesmo que seja apenas de madrugada.