quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Juro que um dia eu devolvo

De uns tempos pra cá, venho pensando incessantemente nas coisas que passaram na minha vida que não eram exatamente minhas. Tá, confuso, sei disso, mas quero falar sobre o que tomei emprestado sem saber. Mais ou menos como o que eu li na internet um dia desses: ”Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!”
E tenho certeza que esse pequeno texto (que eu desconheço o autor, mas isso pouco importa) pode ser aplicado em praticamente tudo, ao que me parece. Não em toda a acepção da palavra, mas apenas pra ilustrar como muito do que amamos – ou assim pensamos – é inevitavelmente passageiro. Cada pessoa que conheci, cada situação que passei, cada lugar que visitei, tudo foi uma forma de empréstimo, involuntário, mas um empréstimo.
No meu caso, nem sempre é fácil lidar com isso. Por mais que eu queira provar (não sei pra quem, talvez eu mesmo) que é tranquilo lidar com essas situações, não é simples digerir tudo isso que é jogado na minha fuça. Nada de escrever um tratado de como deveríamos nos sentir quando perdemos algo ou alguém, é apenas falar de como deveríamos aproveitar cada momento que é concedido. Como uma tarde na mesa do bar preferido, com a melhor cerveja, a melhor companhia, a melhor tarde, o melhor bate papo. Tudo emprestado, tudo já se foi. Ficou apenas a parte boa. A parte que eu desejei que ficasse.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O quase poema do lugar que eu não pertenço

E mesmo te vendo assim, tão pálida e cinza, você continua a me encantar. Ás vezes fria, cheia ou vazia, faz eu me sentir menos deslocado. Me traz pra perto da sanidade. Tem tudo e nada, ao mesmo tempo. Já viu meu choro, minhas alegrias, meus sonhos. Mas sinto que nunca pertenci a este lugar. Essa passagem ainda vai me lucrar alguns bons e maus momentos. É o meu lugar que eu não pertenço.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sem graça

Uma piada. E, nos últimos tempos, isso já basta pra ser o combustível de brigas judiciais, processos e exibições (na mídia, vida real e onde quer que seja) de hipocrisia concentrada aditivada.
Vendo tudo isso, dá uma imensa saudade de quando uma piada era somente uma piada. Era entender, rir – ou não – e ponto. Nada de contratos, patrocinadores, gente endinheirada. Sem bullying (e que moda insuportável essa, só não mais insuportável que a das calças coloridas, mas isso é assunto pra outra hora). Politicamente correto, auto-sustentável, isso nem era lembrado na época em que uma piada era somente uma piada.
O grande barato era a diversão. Sem muitas preocupações, sem muito “rabo preso”. Pouco importava quem ou o quê era o motivo da anedota. Era falar e rir. Sim, às vezes podia ser de mau gosto, mas lembro- me perfeitamente que as “vítimas” de tais atrocidades (dramático? Sim, atualmente está muito dramático) sobreviviam à  esses ataques cômico-terroristas sem terapia, intervenções judiciárias ou trabalho de pai-de-santo (PS: nada contra qualquer religião, ok?). Não era necessária a divisão de castas para saber qual tema poderia ser abordado. Falava-se de (quase) tudo, sem maiores problemas, sem riscos de guerra civil, ou guerra de Ibope.
A burocratização da diversão (nem venha me falar que não existe, pois existe sim) está limando a criatividade. Isso pode, aquilo não pode, meu Deus, deixem-me rir do que eu quiser! Sem polêmicas, só diversão, pura e simples. Não me importa a opinião daquela revista cult, ou portal de imprensa, ou guru espiritual. A questão é que a piada está perdendo a graça. E não é culpa dela.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

(In) consciente Coletivo

Desconfortável. Claustrofóbico. E o mais engraçado é que eu escolhi estar aqui. Na verdade, PRECISO estar aqui. Mas não sou o único. Dezenas, talvez centenas (quem sabe até milhares). E o que me fascina é a quantidade de histórias escondidas atrás de cada expressão, algumas sisudas, outras até simpáticas, mas todas cansadas. Cada rosto, um parágrafo. É quase impossível não me empolgar na possibilidade de descobrir esses “infindáveis pequenos mundos particulares”, uns tão parecidos comigo, outros nem tanto. O fato é que esse estreito corredor é como se fosse um laboratório, de qualquer coisa, experimentos que ninguém escolheu participar, situações sem explicação plausível. É de uma grande pretensão autoproclamar-se, sem prévia consulta dos demais, porta-voz do (in) consciente coletivo. Não é tão simples. Cada vírgula é característica, cada entonação de frase, única. Nessas horas gostaria muito de ter nascido Talese, Capote, ou apenas com mais capacidade criativa e de observação. Tanto para contar, e tão pouco tempo. Sem mais delongas. Chega de devaneios. Com licença, desço no próximo.

domingo, 26 de junho de 2011

Meu pequeno conto sobre uma janela

Passo mais tempo nessa mesa do que em qualquer outro lugar. E o que me resta, é olhar pela janela. Céu azul, dia nublado, chuva, sol, vento, sonhos e esquecimento. Contemplo tudo, com vontade passar por dentro dela, que está escancarada. Não posso. Torno a me virar e continuo numa frenética busca pelo êxito. Da vida, de qualquer coisa, contudo, um êxito. Mas a janela teima em chamar a minha atenção. Quase posso ouvi-la dizendo “Ei, perca seu tempo com outra coisa, perca seu tempo se perdendo, ou se encontrando”. Não posso. Estou preso a uma mesa e cadeira, quase como um deficiente, não físico, mas da alma. E ela percebe isso. E me presenteia com o mesmo belo pôr-do-sol, indiferente a qualquer estação do ano. E nas chuvas, deixa escorrer as gotas, talvez como lágrimas, indecifráveis, assim como todo e qualquer sentimento. Não me prende, tampouco me liberta. Apenas está ali, emoldurando tudo o que posso e tudo o que devo. Há uma observação mútua. Uma tênue linha da realidade e utopia. Doses cavalares de um devaneio qualquer. Vão dizer que é coisa de coração partido. No momento, prefiro as cicatrizes neste velho peito, a ver minha janela partida. Que continua ali, onde sempre vai estar. Aonde sempre vamos nos encontrar.

Inspirado livremente numa história qualquer, de um lugar qualquer…

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sem danças, por favor

Eu nunca gostei desse negócio de dançar conforme a música. Dá uma impressão de preguiça, sabe? E não ser adepto dessa conivência musical é como um estilo de vida.
Já me basta ser um honrado e subserviente cidadão, que paga todos os seus impostos – sem retorno algum, obviamente. Deseja apenas seguir com o que escolhi para mim, sem me importar com status, grana, ou qualquer outro adjetivo que possa melhorar essa decisão, ou torná-la mais bonita e aceitável.
Sinceramente, não estou disposto a viver um sonho corporativo, em troca de algumas centenas (ou quem sabe, com muita sorte, mesmo, alguns poucos milhares) de reais. Pouco me importa o quanto falta pra juntar o meu primeiro milhão, troco tudo pelo que me faz sentir vivo de verdade… É, eu não danço qualquer música…

sábado, 4 de junho de 2011

Um texto da madrugada

Madrugada. Para mim, a melhor hora de parar, refletir e escrever. Sobre qualquer coisa, tema, pessoa(s) e momentos. Não que eu não consiga escrever durante o dia – ás vezes, não escrevo por causa de outros motivos, como cumprir minhas obrigações em coisas que detesto fazer – mas escrever na madrugada é bem melhor.
E não tem nada disso, pelo menos pra este velho boêmio (ah, que pretensão), de lua inspiradora, “issos” e “aquilos”. É só um momento de expor o que se passa na mente. No coração. Na alma. É colocar tudo isso num ritmo só.
Não que em outros momentos do dia eu não queira escrever, mas é que a noite e a madrugada são únicas, especiais. Elas me deixam a sensação de poder, de ser eu mesmo, numa totalidade que não consigo sequer chegar perto no decorrer do dia. Não tem ninguém para “doutrinar” o que quero fazer, só tenho que por em prática a arte de escrever (não sou um adepto dessa arte, como podem ler). E ter liberdade assim me faz completo. Mesmo que seja apenas de madrugada.

sábado, 14 de maio de 2011

Diferente mesmo, mano!

Bem, faz mais de um mês que não apareço por aqui. Não que eu não quisesse, mas tenho compromissos iguais a todos os outros cidadãos. Um mês. E nesse mês, aconteceu muita coisa. Mataram o Osama (falando assim, até parece que ele era meu parceiro, sai zica!), o Fluminense foi eliminado da Libertadores, e ocorreu um outro fato, um pouco mais recente. Um débil protótipo de ser humano paulistano, uma vez mais, falou asneira. Gente diferenciada.
Por acaso, tenho cara de retardado? Não, não tenho. Como podem ver – se é que alguém vai ler isso – já tornei pública a minha indignação com o transporte no texto abaixo. E vou tornar pública a minha indignação com a galera do “quase sangue-azul”. Você pode até não querer uma estação de metrô perto da sua casa, mas essa decisão de barrar o projeto não compete a você. Garanto que milhares de pessoas podem e devem ter acesso a qualquer parte da cidade, com transporte público. Se não moro em Higienópolis, sou um lixo humano, sem direito a nada? Muito pelo contrário.
Se essa fatia da humanidade que, assim como o Ed Motta, é da cultura superior, e não precisa usar o metrô, legal, muito bem. Mas pouco me importa. Eles podem nos chamar de “diferenciados”. E sim, sou diferenciado mesmo. Não vivo numa bolha de preconceitos, nasci e cresci rodeado de pessoas de verdade. Sou humano. E agradeço por ser homem de sangue vermelho, não azul. De verdade.
Se todos fossem realmente diferenciados, talvez estivéssemos em melhor situação, tanto a galera de Higienópolis, quanto a do Capão Redondo, ou mesmo de outra periferia. E poderíamos ficar em harmonia. Ai sim, coisa de gente diferenciada.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Uma (quase) crônica de R$ 3,00

Acho que sou uma pessoa normal (pelo menos, é o que a minha mãe pensa de mim, eu espero). Tenho um emprego, amigos, estudo, jogo bola, brigo com a minha guitarra, bebo religiosamente minha cerveja e faço tudo mais que der na telha. E tem mais uma coisa: TENHO QUE ANDAR DE ÔNIBUS PRA CIMA E PRA BAIXO!!!
Falo isso, mas não com orgulho, muito menos com desprezo ou nojo. É o mais acessível que posso ter em relação a transporte público. Não é a oitava maravilha do mundo – ta mais pra primeira desgraça mundial – mas é o que tenho.
Mas ser carregado todos os dias como um animal (tipo sardinha em lata, saca?), geralmente em péssimas condições, cansa. Digo isso por que é quase impossível de não pegar tétano, ou sei lá o quê mais, quando se segura em um coletivo. A dificuldade em achar um veículo que aparentemente consiga completar o percurso, com todos os bancos e peças, também é imensa. Motoristas um tanto quanto malucos e cobradores mal-humorados completam o cenário do Apocalipse, geralmente desenhado antes das oito da manhã! Cara, como alguém pode chegar ao seu trabalho estampando um sorriso no rosto, depois de encarar uma maratona até então concluída apenas por Hércules, quando este fez os doze trabalhos. Tudo isso por apenas R$ 3,00!! TRÊS “CONTO”, BROTHER!!!
Na boa, isso é tão absurdo quanto o Tiririca no Plenário (sei lá onde essa peste trabalha), ou o Corinthians ganhar a Libertadores da América. O simples ato de ir para casa, depois de um dia inteiro de trabalho e estudo, é umas das aventuras mais perigosas do ser humano paulistano. Nunca sei se vou chegar vivo ao meu destino, ou mesmo no horário. É difícil ser respeitado e ter um serviço, no mínimo, digno de ser falado que é voltado para a população? E para quem eu tenho que me reportar? Prefeito? Presidenta? Governador? Ou mais quantos atos e passeatas irão acontecer até que alguém veja que tá tudo errado?
Até tenho mais coisas pra falar, mas vou dormir, senão vou perder a hora, o ônibus e, quem sabe, até o emprego. Tudo por apenas R$ 3,00.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Pode trocar?

De uns tempos pra cá, uma idéia (ou constatação, sei lá) vem martelando na minha cabeça: será que ninguém é realmente insubstituível?
Isso foi “agravado” depois de um animado bate papo logo pela manhã de hoje (nota do autor: bate papo não-etílico! Horário comercial é uma merda mesmo!). Após relembrar o saudoso Mussum, dos Trapalhões, ou mesmo as intermináveis discussões futebolísticas, falando de grandes craques – ou não – me dei conta de que as pessoas são realmente INSUBSTITUÍVEIS! Mesmo!!! Ou você acha que o cara do Marley e eu comprou um canário depois que o cachorro morreu (eu acho), pra simplesmente esquecer o bicho de estimação anterior? Não, a presença do amigo que se foi vai estar sempre lá, que queira, quer não. Isso acontece também com os ídolos, parentes e quem mais estiver nesse barco.
Podemos ter novos ídolos e amigos, mas os que já conquistaram o seu espaço (no mundo e na sua vida) vão estar sempre ali, não perto fisicamente, mas de uma forma quase mágica, especial. Acho que não existem palavras para descrever o que cada um representa para nós. Realmente são insubstituíveis. Espero que não achem nada pra substituir a minha cerveja também.
PS: Não critiquei o filme Marley e eu, foi o primeiro que veio na cabeça.

terça-feira, 8 de março de 2011

Favela: Venha Conhecer!

 André Silva, morador da favela de Vila Prudente, conta um pouco do que vivencia no seu dia- a- dia, trabalhando com moradores de outras favelas em busca de melhores condições de vida

“Não é chamando favela de comunidade que vamos mudar a realidade”, diz, com certa ênfase revolucionária, André Silva. Aos 33 anos, o estudante de direito, morador da favela de Vila Prudente (como ele mesmo frisa, com orgulho), casado e pai de um garoto de 13 anos, tem bagagem para falar do assunto.
Vestindo uma camisa branca, estampada com Che Guevara no peito, ostentando a frase “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!”, já dá pistas de que, como o velho guerrilheiro, prefere morrer de pé do que viver de joelhos nesse mundo. Mundo esse que não conhece o habitat do grande corintiano André, a favela (ou comunidade, se você ainda não estiver totalmente integrado ao lugar).
Apenas para ilustrar o caminho pelo qual vamos adentrar, o Movimento de Defesa do Favelado (MDF) está, desde os anos 70, lutando com os favelados por saneamento básico. As primeiras conquistas foram uma creche e uma rede de esgotos, construídas na favela de Vila Prudente. Sir Alex Ferguson, técnico do poderoso Manchester United, do futebol inglês, já contribuiu com doações para a entidade. Ele conheceu o MDF por meio de um olheiro do time, que é irmão de um dos fundadores do movimento.
Há seis anos no MDF, André conta, em meio a uma chuva insistente, que teimava em riscar o céu cinzento daquela manhã de sábado, como foi “tentado” a trabalhar com esse projeto: “Eu trabalhava em uma empresa normal, iniciativa privada. E, na favela de Vila Prudente, onde moro, realizava um serviço voluntário, na igreja católica, com jovens. E o padre responsável pela comunidade, o irlandês Patrick Clarke, um dos fundadores do MDF, me convidou, dizendo que ia iniciar um novo projeto, e a idéia era trabalhar com formação e organização dos jovens da favela. E achamos que você tem o perfil certo”.
Em seguida, André foi convidado a participar do 3° Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, no ano de 2003. “Fui para o Fórum, e achei muito interessante. A partir dai, decidi trabalhar no projeto. Larguei a empresa, tinha acabado de ser promovido, mas o lado do ideal falou mais alto”, revela André, que hoje trabalha fazendo a articulação do MDF com outros movimentos de moradia, ajudando no dialogo com prefeituras, governo federal e estadual para melhorias e infra-estrutura
Empolgando-se visivelmente enquanto fala do MDF e seus projetos, André ainda fala, de modo quase eufórico, porém sempre educado, de como o novo trabalho lhe deu a oportunidade de aprender e conhecer um pouco do Brasil e do mundo. Inúmeras idas a Brasília, noites ao relento em atos pró moradia na Praça da Sé, e noites deitado apenas em um lençol, no chão de uma escola em Belém do Pará, mostram um pouco do sacrifício enfrentado para pleitear uma pequena fagulha de esperança em vidas sofridas, desgastadas.
Um de seus primeiros trabalhos, em 2005, foi levar cerca de dez jovens para a Jornada Mundial da Juventude, realizada na cidade de Colônia, Alemanha. “Foi uma grande experiência, gratificante. Levar jovens que jamais entraram em um aeroporto para uma viagem internacional, com o intuito de fazer melhorias para os seus vizinhos, foi muito bom, acabei aprendendo bastante com eles”.
Além de conhecer a África do Sul e a Tanzânia, também conheceu Kibera, a maior favela da África, situada em Nairóbi, capital do Quênia, e uma das maiores do mundo. Em um emaranhado de córregos, vielas de terra batida, quase como uma espécie de sistema circulatório doente, esquecido por Deus e pelo mundo, Kibera abriga cerca de um milhão de pessoas em seus becos e barracos. “As pessoas que tem energia elétrica lá, são privilegiadas. Não há banheiro dentro das casas, só existem banheiros coletivos, é uma situação muito precária”, relata André, ressaltando a total falta de condição para a proliferação da vida humana no local. A viagem também ficou marcada pelo clima tenso, devido à eleições entre candidatos de duas etnias (núbios e luos, duas das principais tribos do Quênia), o que acabou gerando um massacre com centenas de mortos e milhares de refugiados.”O que assustou foi ver muita gente armada, e o cenário de muita pobreza’, diz.
Essa descrição de Kibera pode mostrar um cenário já visto antes aqui na cidade de São Paulo, que possui entre 1800 a 2000 favelas, com cerca de um milhão de habitantes. Mas todas as favelas tem sua própria história, sua relação com a cidade. A favela de Vila Prudente, que nasceu entre as décadas de 40 e 50, era composta basicamente de migrantes nordestinos. “E na favela do Moinho, na Barra Funda, já existem peruanos e bolivianos morando por lá”, diz André, que coloca o Brasil, devido ao seu período de moderada aceleração da economia, como um novo EUA, alvo de peregrinação de almas um tanto quanto mexicanas, sedentas por uma nova condição de vida, talvez regada a geladeira nova e TV de plasma.
Um aspecto dos moradores de favelas por toda a cidade, coincide ser o mesmo: a baixa auto estima. “Como um favelado pode ajudar outro favelado? Tem que ser gente que entende das coisas, tem que ser doutor’, disse, certa vez, um morador, talvez extremamente necessitado de uma nova perspectiva de vida, que não seja a favela.
O resgate da auto-estima do povo favelado é um ponto delicado de se trabalhar, pois a população, com a sua pré-disposição em aceitar certos rótulos - como aquele em que se diz que na favela também tem gente de bem – torna-se uma tarefa muito complicada. “Muita gente fala se pergunta o porquê de tal família morar perto de um córrego, mas nem pensa que isso é uma problema social”, pondera André, expondo a falta de conhecimento que cerca a favela.
O “senhor favela” mais viajado da Vila Prudente, que cresceu jogando bola e correndo pelos becos estreitos, porém felizes pra uma criança, está quebrando algumas regras, como aquela que fala “pra que estudar, tem é que trabalhar!”, muito comum nos “barracos lares felizes”.
“Agora, me olham e falam: Se ele é favelado e faz faculdade, eu também posso!”, revela, com palpável orgulho na voz, e obviamente feliz, talvez com a sensação de estar cumprindo o seu dever para com a favela, sempre seu mundo, sempre seu coração.
“Se ainda tiver dúvidas do que vai encontrar quando for a uma favela, só posso fazer um convite, então venha conhecê-la!”, finaliza, mostrando todo o amor que tem pela favela, que poderia ser preto e branca, do jeito que ele mesmo gosta.

* Esse é um trabalho apresentado para a matéria Introdução ao Jornalismo, do curso da Fiam/Faam. Agradeço ao Prof° Claudio Tognolli, pelas dicas, e ao André, parceiro de longa data e um motivo de orgulho. Não só para mim.
      André Silva trabalhando no escritório do MDF

segunda-feira, 7 de março de 2011

Por aí….

Mas não é bem uma “estranheza”. Nem egocentrismo. Só vontade de sair. Por ai, quase sempre sozinho.
*(Não demora eu tô de volta).
Não é uma fuga. Nem mesmo uma tentativa de esconderijo barato, ocultando a incapacidade de se adaptar. Ao outro, ao mundo. A tudo.
*(Vai ver se eu tô lá na esquina. Devo estar).
E se for só agressividade? Pura e simples? Não, não deve ser.
*(A lua me chama, e eu tenho que ir pra rua).
É sempre buscar o complemento. Não um qualquer, mas o verdadeiro. O que te deixa vivo, de verdade. Só a Noite pode me oferecer isso.
A lua me chama e eu tenho que ir pra rua. Sempre.
*trechos da música “Hoje eu quero sair só”, do cantor Lenine.
Enfim, o bar está oficialmente na ativa de novo. Espero que por muito tempo.