quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Pseudo-Intelectual

Cara, não querendo ser estraga prazer ou coisa do tipo, lá vem ele. De novo. Esqueça tudo o que conhece ou aprendeu. Ele é intolerante, insolente e megalomaníaco. Sim, ele que tudo vê e tudo sabe. Ele. Não se iluda com os livros de Kafka, Sartre ou mesmo os de culinária que ele carrega debaixo do braço. Se a discussão se enveredar por um lado mais, digamos, real e árduo (idéias que façam você e o meio em que vive se moverem, meu caro), pronto, o assunto acaba voltando para o lançamento do último filme do novo cinema tanzaniano (tá bom, admito, é o efeito Copa do Mundo). Por quê é tão importante se afirmar como uma pessoa culta, mas sem uma consciência social e política realmente importante, ou mesmo interessante? E todo esse conhecimento vale alguma coisa de verdade, ou é apenas status perante outras pessoas que não são ligadas nesse “mundinho descolado legal único de minha vida”?  Será que o não votar é tão descolado assim? E colocar a culpa dessa situação (sua, do país, tanto faz, você faz parte de todas) em alguém, estrategicamente falando, com uma porção de palavras bonitas e frases feitas de grandes pensadores, (alternativos, é claro!) também é ser legal?
Esse culto ao cérebro anabolizado de idéias e conceitos vagos podia muito bem ser proibido (por quem, eu não sei, mas que deveria ser feito rápido, deveria), pois mostra um dos piores comparativos que eu já vi na vida: O que é pior, uma pessoa culta, inteligente, que sabe que pode mudar o panorama da sua sociedade, mas que nada faz (sem motivo aparente, apenas não o faz) ou o ser humano que nada faz, pelo simples motivo de não saber o poder que tem, ou por não ser descolado o suficiente?
Mas vamos deixar de lado todo esse papo de ser adulto, chato e responsável, o que vale é garantir o lugar na fila para comprar o último disco do coral banda jazz-rock-samba-soul Nasci em Montevideo (é, se a ortografia está certa eu não sei, mas que é descolado, é!).  Não me leve a mal, mas estou indo embora, antes que eu fique culto demais!

Espera


É possível que tudo na vida do ser humano seja baseado na espera. É, isso mesmo. Espera. Em um primeiro momento, você espera nove meses até nascer. Espera mais um pouco para aprender a andar.  Espera um outro tanto para falar.  E ler e escrever então? Depois, espera pelo primeiro beijo, primeiro trabalho, primeiro amor (e também espera as primeiras decepções, é claro). Cresce mais um pouco, e espera por mais. Mais oportunidades, mais liberdade. E, involuntariamente, espera que alguém nos diga o que fazer. E espera não fazer nada. Espera tudo pronto nas mãos. Espera que a vida passe logo, sem grandes feitos e agitações. Espera que alguém note seu talento, mas nada faz para mostrá-lo. Quer ser a mais nova referência cult do novo milênio. Espera que o seu aguçado e insuperável intelecto molde tudo ao seu redor. A sua cartilha de como deveríamos ser e agir é a nova moda. Novas regras, prontas, esperando para serem colocadas em prática. E espera pra ver se tudo vai dar certo. Espera por um belo dia ensolarado, baseado na previsão do tempo. E espera ser verdade, pois todo o seu planejamento de vida depende disso. Espera também que tudo mude quando tiver uma bela noite de sono, e esse pesadelo da vida humana moderna tenha ficado para trás.
 E não faz mais nada, apenas espera.

Sobre certas coisas…

                                    
Espirituosidade. Devia ser um “item obrigatório” na personalidade de cada ser humano. Mais ou menos como o pacote ar, direção e travas do seu carro novo. E cada pessoa espirituosa neste mundo é merecedora de um prêmio. Mas não pode ser um prêmio qualquer. Então, qual dádiva pode ser? E se fosse uma vida um pouco (ou muito!!!) mais, digamos, agradável? É, agradável sim, por quê não? Uma existência leve, despreocupada. Não alienada, mas uma vida simples. Tratar as situações de mente e peito aberto. Aproveitar cada pequeno instante (sim, esses são os melhores, posso garantir!). Ampliar seu ponto de vista, ampliar seus conhecimentos. Sorrir demorada e sutilmente, sem se importar se vai parecer um idiota ou não. Reconhecer que é um ser humano (sim, e com sentimentos, por sinal), e não uma máquina,”parida” de um robô qualquer, em uma fábrica de realidade barata. Consegue imaginar? Rompa com seus dogmas, paradigmas e tudo mais, e reinvente-se a cada dia. Deixe de reclamar por um instante, e tente estender a mão, para quem quer que seja. Não é necessário revolucionar o mundo (não mesmo, mas só por enquanto, pelo menos até o fim do texto), mas sim deixar de ver a vida num invólucro, invariavelmente distante de nós. Ela está presente, numa espécie de overdose de costumes e velhos hábitos, principalmente o “não tenho tempo, estou atrasado”.
Mas espero que, no final das contas, tudo acabe na melhor das condições. E carregado de um “espirituosismo” inveterado de um sonhador.

Bar Ruim

E por quê bar ruim? Porquê é um dos melhores lugares do mundo. É simples, feio. Charmoso. Ponto de encontro de velhas amizades, palco do nascimento de inúmeras outras. E tem cerveja, principal motivadora de grandes discussões. Culturais, filosóficas. Simples discussões da vida, não de velhos hábitos.
É um recanto perfeito. As cadeiras, velhas e de lata, já bambas e tortas pelo tempo, parecem nos ninar enquanto (re)lembramos grandes histórias com grandes amigos.
                                                          Discussão Filosófica - Bar do Tchê

Bar ruim é isso. Simples. Vivo. De verdade. Só quem vive isso sabe o que é.